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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Arena Jovem Sobrado Collection


Nesse fim de semana pude fazer o ensaio fotográfico para o lançamento da linha de roupas da rede Arena Jovem Sobrado, algo bem diferente dos ensaios que eu normalmente faço!

Fizemos as fotos num domingo de chuva fina num lugar mega descolado no Setor Comercial Sul aqui em Brasília. Com um visual jovem e cheio de atitude, os modelos apostaram em bonés, gorros, óculos e bijux super lindos e conectados ao estilo urbano e skatista que a linha "Arena Jovem Sobrado Collection" propõe. 

Veja o ensaio completo na Galeria Pixieset clicando AQUI e para acessar a página dessa galera linda no Facebook, clique AQUI









Ser Arena Jovem não é uma moda, não é um momento e nem tampouco uma fase de nossas vidas que passamos por sermos jovens, mesmo que, por muitas vezes, para alguns isso seja uma verdade. Ser Arena Jovem é totalmente diferente – é um estilo de Vida.





Já deu pra notar que melhor do que fotografar gente bonita é fotografar gente bonita E FELIZ!

E o pessoal está muito feliz e animado em mostrar que bom gosto e atitude tem tudo a ver. As camisas começam a ser vendidas amanhã (sábado) na sede da Igreja Sara Nossa Terra em Sobradinho. Eu já garanti a minha!








Fonte: http://www.saranossaterra.com.br/arena-jovem/

domingo, 13 de julho de 2014

‘Uma branca sombra pálida’ e um comentário fotográfico

Então, vamos falar de Literatura? Uma coisa que eu amo é fazer comentários fotográficos de textos literários e este aqui eu fiz após ler o conto “Uma Branca sombra pálida” de Lygia Fagundes Telles.
O conto se passa no ambiente bucólico de um cemitério, todos os outros ambientes mencionados estão apenas na lembrança da voz que narra o conto. Trata-se da exposição confidencial de uma mãe que deposita rosas brancas sobre o túmulo da filha suicida,  portanto não é possível saber, de fato, quais as reais feições emocionais e afetivas dos outros poucos personagens mencionados pela narradora já que o ponto de vista é estritamente unilateral.

O texto fala da sexualidade de uma moça por meio dos olhos e das palavras de sua mãe. Trata também da descoberta da sexualidade dessa mãe por meio dos confrontos que ela tem com sua filha. E toda essa movimentação só acontece por conta da presença de uma outra personagem feminina chamada Oriana. Ao que diz respeito à Onomástica, o nome Oriana significa “garota de ouro”, o que nos remete ao valor que essa moça tem no decorrer da história e, mais ainda, à sua cor. Sim, à sua cor!

Esse texto de Lygia Fagundes Telles é repleto de elementos que remetem o leitos à cor branca, a começar pelo título (Uma branca sombra pálida). Entre esses elementos podemos notar a fumaça branca do cigarro, as asas prateadas da borboleta, a xícara de leite, as paredes brancas do quarto de Gina (a filha)... E Oriana aparece como o único ponto de cor e contraste nesse plano branquelo, mais ainda quando deposita flores vermelhas sobre o túmulo de Gina, enquanto a mãe deposita somente flores brancas.



[...]  Ela com a sua mágoa e eu com a minha impaciência, ah, a mentira das superfícies arrumadas escondendo lá no fundo a desordem, o avesso dessa ordem.Acendo outro cigarro. Comecei a fumar deste jeito o dia em que Oriana esqueceu o maço de cigarro no quarto de Gina, experimentei um, era bem mais forte do que aqueles que eu fumava meio espaçadamente. Enquanto fui ouvindo os discos, não parei até esvaziar o maço. Então fiquei ali quieta, sentada no chão do quarto, em meio das almofadas onde elas estiveram e sentindo ainda no ar aquele indefinível cheiro de juventude. Uma borboleta com desenhos prateados nas asas veio agora rondar a jarra das rosas vermelhas, não quis os botões brancos, a safada. Quando se fartou das vermelhonas, fez um vôo rasteiro até aqui,  interessada no nome que mandei gravar na lousa, Gina. (...) é uma borboleta meio tonta mas curiosa: (...) Foi acidente? Não, minha bela, respondo e sopro devagar a fumaça do cigarro na sua direção, foi suicídio.(...) . A borboleta concordou enquanto se desviava da fumaça, adotei a marca de Oriana  que não é marca para borboletas (TELLES, 2009, p. 113).

Quanto à fotografia, resta novamente um incômodo: o de não ver um rosto. É proposital que vejamos apenas um contorno mal riscado na luz ofuscante. É proposital essa luz ofuscante. A ausência de sombras marcantes não é, na verdade, o que encobre a informação ao leitor,  mas sim o excesso de palidez e luz.

O conto, branquelo por si só, nos leva visualmente a um ambiente de mistério devido a uma neblina branca, que, como um véu, silencia presenças e sentimentos. Resta ao "leitor" somente a essência da atmosfera do silêncio fúnebre e de contornos mal desenhados que o levam a deduzir o corpo de uma mulher que, se envolve com um lenço vermelho durante o dia. Não há valorização de formas, texturas, expressões e olhares, mas sim da evidencia de um ambiente privado dada, principalmente, pelas cortinas e pelas roupas, supostamente pijamas.

Essa questão entre esclarecimento e ofuscamento presentes no comportamento da luz na foto é uma antítese também no conto, uma vez que, lê-se uma mãe acostumada a clareza de comportamentos bem delimitados e compreensíveis se desestrutura ao se ver diante de um cenário no qual não consegue interpretar de maneira certeira o comportamento de sua filha. A dúvida, a imprecisão, quanto ao entendimento da vida íntima de Gina entra no conto  na forma de uma cortina que impedem a mãe de ver e compreender a sexualidade da filha ao ponto de gerar conflitos e fatais perturbações. Neste momento, os elementos que remetem à brancura e à luz deixam de ser referentes ao esclarecimento e passam a fazer referência à confusão dada a perda dos contornos e definições dos acontecimentos. A composição simples da fotografia intenta mostrar um "leitor"  que enxerga a foto como os olhos da mãe. Esses olhos confusos enxergam e pensam Gina somente com a mediação de Oriana  -  um véu colorido, vermelho - não permitindo que o "leitor" tenha uma compreensão distinta dos traços de uma ou de outra menina, assim como a mãe tinha uma visão restrita pelo buraco da fechadura, não podemos, na foto, enxergar tudo com nitidez e clareza.

É muito típico da autora tratar a condição humana - e feminina - com tanta nostalgia e melancolia, e o conto não é uma exceção. Morte e vida, pureza e sexualidade são questões levantadas de uma forma raivosa pelas palavras dessa mãe que chega a convencer, um leitor desatento, de que se trata realmente de uma mulher apenas enraivecida e não de uma mãe cheia de sentimentos de tristeza e culpa.

Espero não ter estragado o suspense do conto com algum spoiler indesejado, mas sim aguçado curiosidade e despertado a vontade de vocês de ler esse e outros textos de Lygia Fagundes Telles!